Seja eficiente. Não use e-mail.

Não, esse não é um texto de crítica ao uso de e-mail. Esse é um texto de crítica à não solução. À vergonha aprisionadora. Um texto de crítica ao esconderijo do “send”, da “message” e de tantos outros mecanismos que nos afastam do contato pessoal, permitindo que nos abriguemos atrás de telas onde não há a necessidade de falar com outras pessoas.

É um assunto que me intriga há alguns anos, desde quando vivenciei uma determinada situação profissional.

Resumidamente, certo dia uma colega estava com dificuldades para resolver determinado assunto, sugeri que ela ligasse para a pessoa responsável, ela me respondeu que preferia “falar pelo Skype”, eu questionei o motivo, ela me disse “vergonha de falar”. (A ocasião não permitia levantar da mesa e ir até a pessoa – o outro interlocutor).

Eu entendo. Isso acontece com todos nós. Quantas vezes queremos utilizar outros mecanismos pelo simples fato de preferir não nos relacionar diretamente com o outro interlocutor. Isso acontece com todos, independentemente do cargo / posição hierárquica. É notório, é só olharmos para os lados.

Porém, os riscos que essa atitude carrega podem custar muito caro. Esse “medo”, “vergonha”, “timidez” pode te afastar de oportunidades, ocasionar demoras excessivas na solução de problemas e, principalmente, impedir a criação de laços profissionais e pessoais com pessoas importantes em sua carreira.

É por isso que em determinadas ocasiões, opto, primordialmente, pelo velho e eficiente “Telephone” de Graham Bell.

De acordo com Fran Lebowitz, “o telefone é uma boa maneira de conversar com alguém sem ter de oferecer-lhe um drinque”. Talvez ele tenha razão, já que falar ao telefone nos permite captar a ‘temperatura’ da voz e criar um canal de proximidade ao interlocutor.

Não estou dizendo que não se deve usar e-mails e os mais variados meios de comunicação que temos atualmente. Todos têm sua finalidade, mas precisamos entender o melhor momento para usá-los, inclusive se a abordagem deve ser feita pessoalmente, no famoso “tête-à-tête”.

Finalizo com a seguinte reflexão do, meu conterrâneo, Millôr Fernandes:

“Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto.”.

Texto de Carlos Boechat, MSc.
Senior Tax Consultant at Deloitte

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *